quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O homem que se excita com "pum"


Se “Brad” (esse é seu pseudônimo) tivesse nascido um século antes, ele provavelmente nunca teria encontrado outras pessoas que compartilhassem suas preferências. Para sua sorte, porém, ele vive em uma época em que a internet, um ímã para confissões sexuais, está consolidada.

Ao explicar seus desejos para um psicólogo, Brad disse: “Acho o som bastante atraente, e fiquei aficcionado por ele. No início, eu não queria admitir que me excitava com pum, mas finalmente decidi experimentar”. O relato de Brad foi transcrito pelo psicólogo Mark Griffiths, professor da Universidade de Nottingham Trent (Inglaterra) e especialista em vícios comportamentais. Baseado em relatos de Brad , Griffiths o diagnosticou como “eproctófilo” – “alguém sexualmente excitado por flatulência”. Como Brad é bissexual, ele sente atração pelo pum de pessoas de ambos os sexos.

Em conversas com Griffiths, Brad tentou explicar como desenvolveu a eproctofilia. Sua primeira lembrança foi ouvir um boato de que sua “paixonite” do ensino médio tinha soltado um pum na sala de aula. Ele também tentou explicar por que a flatulência lhe traz um prazer sexual. “Quanto mais nojento, mais eu gosto, pois aumenta a sensação de dualidade. Quanto mais nojento for o pum, e mais bonita a mulher, maior o cisma entre a expectativa da sociedade e a realidade”, contou Brad.

A pesquisa de Griffiths sobre comportamentos online, particularmente o jogo na internet, o levou a estudar comunidades na rede dedicadas à parafilia – intensas e atípicas atrações sexuais. Depois de ter verificado a identidade real de “Brad”, Griffiths lhe atribuiu o pseudônimo para publicar relatórios de pesquisas acadêmicas sobre o caso. Ele está trabalhando em mais seis estudos de caso sobre fetiches sexuais e, com cada um, tem visto coisas com as quais ele não esperava se deparar.

“A questão sobre o estudo de caso é que é apenas uma única pessoa. Pessoas diferentes podem ter a mesma parafilia de maneiras diferentes”, explica Griffiths. “Acontece de eu comentar sobre o caso de Brad e depois virem pessoas dizendo que o que se aplica ao caso dele não acontece com outras pessoas”.

A parafilia não é nova, obviamente. O romancista James Joyce revelou uma tendência eproctofila em 1909, em cartas de amor para sua esposa, que foram publicados postumamente em 1970. O termo “sadismo parafílico” foi cunhado em homenagem ao nobre francês do século 18 Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade . Ele escreveu histórias de ficção detalhando fantasias violentas e assassinas, mas também praticou violência sexual – muitas vezes sexo não-consensual. As obras de Sade não foram amplamente divulgadas até o século 20.

Ainda hoje, a parafilia carregar consigo um estigma. Ao discutir o caso de Brad, Griffiths comentou que os parafílicos são muitas vezes patologizados e vistos com um olhar negativo – mas Brad está muito feliz com sua condição. O psicólogo acrescenta que, quanto mais ele investiga a parafilia, mais percebe que as pessoas em fóruns na internet não querem tratamento.

Em alguns casos, os médicos mudaram suas opiniões para concordar com as afirmações das pessoas de que elas possuem uma “preferência”, e não um “problema”. Todos os anos, a Associação Psiquiátrica dos Estados Unidos atualiza o seu Manual Estatístico de Diagnóstico e de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês). A chamada “Bíblia de distúrbios de saúde mental” já passou por cinco revisões (o DSM 5 foi publicado em maio), e cada vez a sexualidade tem sido mais debatida.

No terceiro DSM, um fetiche foi considerado parafilia apenas se “a pessoa atuou guiada por esses impulsos ou é marcadamente afligida por eles”. As edições posteriores elevaram os critérios – de simplesmente agir por esses impulsos para “viver com um prejuízo significativo”.

A quinta edição faz uma distinção entre a parafilia e os transtornos parafílicos. Alguém com uma parafilia pode ser diagnosticado com transtornos parafílicos somente se se sente angustiados por seus impulsos ou se causa danos a terceiros ao agir sobre eles sem  autorização. Isso coloca automaticamente a pedofilia, o voyeurismo e o exibicionismo na lista de distúrbios parafílicos.

Os próximos estudos de caso de Griffiths podem incluir um fetiche de fogo, de cegueira e a dacrifilia – a excitação pelas lágrimas, pelo choro ou pelo soluço causado pelas lágrimas. “Uma das mensagens que esses estudos de caso nos dá é a de que, quando se trata de seres humanos, não há quase nada pelo que eles não possam se sentir sexualmente excitados”, completa Griffiths.

Fonte: http://hypescience.com/

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